Concurso Correios: Instituição reconhece carência de 20 mil, diz federação

Um déficit de 20 mil trabalhadores apenas na área operacional. Essa é a carência reconhecida pela própria empresa e que reforça a urgência da abertura de um novo concurso para os Correios, segundo a (Fentect).

Segundo o secretário-geral da federação, José Rivaldo, a defasagem foi admitida pela empresa durante a negociação do acordo coletivo de trabalho do ano passado. “Só que eles queriam suprir esse déficit com concurso para temporários e nós não aceitamos. Queremos concurso para afetivos”, disse o sindicalista. Para a federação, a defasagem é de 30 mil trabalhadores.

Em resposta à afirmação do sindicalista, a empresa informou que “diante da reestruturação organizacional e da reorganização do processo produtivo, os Correios estão reavaliando todos os estudos relacionados ao quantitativo da força de trabalho em cada localidade. Somente após a conclusão desses estudos será possível dimensionar a real necessidade de efetivo para realização de um novo concurso público.” A empresa não informou uma previsão para a conclusão dos estudos.

Rivaldo rechaçou a afirmação do novo presidente da estatal, Guilherme Campos, de que é impossível abrir um novo concurso ainda este ano. “Vamos enfrentar essa posição durante a negociação do acordo coletivo, quando a gente conta com maior mobilização da categoria”, afirmou. O secretário-geral da Fentect também lamentou as declarações de Campos atribuindo aos funcionários a crise financeira pela qual passa a empresa, destacando o elevado número de faltas justificadas com atestados médicos. José Rivaldo lembrou que a atividade dos Correios é bastante sacrificante e que boa parte dos trabalhadores está há anos na empresa, o que explica o desgaste. “Apesar disso os trabalhadores continuam produzindo. Fomos nós que construímos o nome dos Correios”, ressaltou.

As negociações em torno do acordo deverão se estender até setembro, quando a categoria promete uma greve geral (a partir do dia 14 daquele mês), caso não tenha suas reivindicações atendidas. Este ano, Fentect e Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), outra federação que representa os trabalhadores da empresa, resolveram se unir na campanha salarial, intensificando a luta contra o que consideram uma tentativa de privatização da empresa.
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Concurso em até seis meses após acordo

No dia 7 deste mês, a Findect protocolou nos Correios uma pauta de reivindicações, incluindo uma cláusula exigindo a garantia de abertura de concurso público, com vagas suficientes para suprir as necessidades de reposição de pessoal, em até seis meses após a assinatura do acordo. Caso o acordo seja assinado com a manutenção do termo, a nova seleção deverá ser realizada até o início do mês que vem.

Segundo os Correios, a empresa está reavaliando todos os estudos relacionados ao quantitativo de vagas a serem preenchidas, bem como a necessidade de força de trabalho em cada localidade, e nesse período, não serão contratados novos empregados. A empresa chegou a anunciar um concurso no ano passado, para cerca de 2 mil vagas e formação de cadastro de reserva, mas a abertura da seleção foi suspensa após determinação do Ministério do Planejamento que redefiniu o limite máximo do quadro de pessoal da estatal.

Na seleção anunciada, as chances seriam no cargo de agente de Correios, de nível médio, nas atividades de carteiro (remuneração de pelo menos R$2.885,37, incluindo benefícios e adicionais) e operador de triagem e transbordo (R$2.348,87). As oportunidades seriam distribuídas por Rio de Janeiro (144 vagas de carteiro), São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, além do Distrito Federal.

O concurso Correios, por sua vez, seria feito por meio de provas objetivas, teste de esforço físico e exame médico admissional, com a avaliação de múltipla escolha compreendendo 50 questões, sobre Português, Matemática e Conhecimentos Gerais (no lugar de Informática).